InícioPRSNotíciasActividadesComentáriosLinksContacto

P.R.S. - Partido de Renovação SocialO Partido de Renovação Social (P.R.S.) foi fundado a 18 de Novembro de 1990 em Luanda, por um grupo de patriotas de origem social humilde e camponesa com o propósito de defender os interesses do povo angolano que há muito vem almejando a construção de uma sociedade justa, onde todos os angolanos possam usufruir uma vida feliz e melhor para o seu bem estar.
   

Opinião

Consulte mais informações sobre o federalismo.

Considera o Federalismo um bom modelo político para Angola?
Em Angola não há Eleições Autárquicas, que permitiriam a eleição de Governadores Provinciais pela População Local. Os Governadores são, neste momento, nomeados pelo Partido no poder.

Concorda com a criação de Eleições Autárquicas, que permita a eleição de Governadores Provinciais pelo Povo, ao invés de serem nomeados?

Identificação








Esqueceu a senha?


Discurso do Presidente do PRS no Huige, durante a Campanha Eleitoral
"Qualquer tipo de exclusão etno-linguística, sociopolítica, económica ou cultural, contraria o espírito de nação e de valorização de uma entidade nacional, que deve ser a soma equilibrada de todas as entidades que compõem o mosaico nacional."

Povo angolano,
Povo do Uíge,
Saudações em Kikongo

Em nome do PRS, e em meu nome pessoal, agradeço a vossa presença neste acto de campanha eleitoral.

Devo antes dizer que este comício, mais do que um acto eleitoral, é uma oportunidade única para os angolanos se exprimirem de forma livre e aberta sobre a sua condição social, sobre os problemas que afectam a nossa sociedade, em particular esta grande província, e sobre a forma como temos sido governados desde a independência.

Este acto é uma oportunidade para avaliarmos o desempenho de 33 anos de governo pelo mesmo partido.

Este, é também um acto para as populações ouvirem e julgarem os discursos e as promessas de uma dezena de partidos.

A primeira pergunta que vos colocamos, nesta conversa que estamos a manter sobre como o povo pode exercer melhor o seu dever de julgar e controlar os actos de governo, é a seguinte:

O povo do Uíge pode afirmar, sem rodeios, que tem sido consultado na definição e execução de projectos para o bem da província? Será que o povo tem o poder de fiscalizar o que aqui está a ser feito, e usar os microfones da Rádio Nacional de Angola e a TPA para debaterem, de forma aberta, os problemas do Uíge?

Coloco uma segunda pergunta:

Será que em Angola só existe inteligência e capacidade para governar o país num só partido? Se assim for, a culpa é de quem por não educar a população?

Meus irmãos, minhas irmãs, O PRS está convosco.

O PRS não vem prometer-vos a construção de milhares de casas, carros e outros bens apenas para pedir o vosso voto e depois abandonar-vos, excluir-vos do acesso às riquezas e à liberdade que todos os angolanos devem gozar.

O PRS fala a verdade.

A única forma de garantirmos que todos os cidadãos tenham emprego, salário justo, habitação condigna e liberdade de expressão e de movimento, é através do diálogo, da consulta nacional.

Na verdade, o PRS não tem a arrogância para se achar com capacidade de decidir o rumo do país, através da vontade e da esperteza de meia dúzia de políticos que concentram todo o poder de Angola e dos pareceres dos seus associados estrangeiros.

Quem assim pensa e governa é autoritário.

Só quem tem o espírito da ditadura e do elitismo da segregação social e económica é que pode pensar assim.

Para que tenhamos um bom plano de ofertas de serviço e de condições sociais para o nosso povo, precisamos, primeiro, saber escutar o que o povo diz, as suas preocupações, prioridades e sugestões.

Porquê continuamos a ignorar o povo, a ofender a sua inteligência?

Com o PRS, o primeiro partido no boletim de voto, a tua escolha é fácil.

O PRS é o partido que está do teu lado.

O PRS é o partido que sofre contigo.

O PRS está aqui para levar a tua voz à Assembleia Nacional, aos corredores do poder em Luanda.

Vocês querem votar na corrupção, no roubo das riquezas do país, na opressão e na mentira?

É essa a experiência que o povo quer no novo governo?

O povo acredita em mentirosos?

Meus irmãos, minhas irmãs, o povo deve ter esperança, o povo deve acreditar mais em si, no seu poder, na sua soberania.

O PRS está aqui, do lado do povo, para o ajudar a exercer esse poder, essa soberania.

O povo não deve pensar, como alguns membros do regime fazem crer, que quem comeu a carne do povo também tem o direito de lhe comer os ossos.

Vejamos! Quando uma raposa assalta o nosso galinheiro e se lambuza com uma galinha nossa, será que a convidamos para regressar no dia seguinte e lhe damos outra galinha para comer? Qual é a resposta, povo do Uíge? A resposta é não! Vocês afirmam que não!

O que fazemos é proteger melhor aquilo que é nosso e criar mecanismos para evitar mais assaltos.

Com o governo, o mecanismo que o povo tem de colocar um cadeado, de trancar bem a porta dos nossos cofres, é o voto.

Aquele que passa a vida a assaltar a criação alheia, que a todos os angolanos pertence, tem de ser chumbado, tem de ser demitido.

Dizer que a raposa é esperta e experiente porque passa a vida a assaltar-nos não é conta que se faça em período eleitoral.

O dia do voto é o dia do julgamento. O juíz é o povo! E aquele que lhe rouba a carne merece castigo.

Nós precisamos de todos os angolanos, de forma inclusiva, para reconstruir o país. Esta é uma tarefa nacionalista que não deve ser entregue à gestão secreta de estrangeiros.

Por exemplo, no âmbito do programa de reconstrução nacional, o regime diz que está a construir um novo aeroporto internacional em Luanda, quem já viu a maquete dessa obra? Quem já chegou perto dessa obra? Apenas os chefes da Casa Militar da Presidência e os chineses sabem o que estão a fazer. É esse o tipo de reconstrução secreta, em que o povo não sabe de absolutamente de nada, que nós queremos para o país?

Com o PRS não haverá segredo no processo de reconstrução nacional, mas consulta com o povo. O PRS defende a aproximação real entre governantes e governados. Porque o PRS é do povo e pelo povo! Por isso, o PRS defende o uso das línguas nacionais, como o Kikongo, o Umbundu, o Tchokwé, o Kimbundu e demais, no exercício da administração pública.

Os políticos, sobretudo os do poder, quando vêm requerer o vosso voto, até falam nessas línguas, para vos convencer. Mas, depois, quando vestem os seus fatos de governantes dizem que a única língua de unidade nacional é o português e que devemos apenas falar o português nas instituições públicas. Não é esta a continuação de uma política colonial de negar aos angolanos a sua verdadeira identidade? Agora, é só ver nos anúncios dos jornais as empresas privadas, principalmente estrangeiras, exigem que os jovens, para ser empregados, até como cozinheiros e guardas tenham de saber falar inglês. Essa é uma política para rejeitar o emprego a muitos angolanos, a favor de mais estrangeiros que saibam falar essa língua.

O país é dos angolanos ou não? Como o governo, que já nos separou das nossas línguas maternas, de forma abusiva, agora permite também que o próprio português, que o regime tanto ama já não seja qualificação suficiente para o angolano ter trabalho na sua própria terra? É o estrangeiro quem deve aprender, primeiro, as línguas que se falam no país, ou é o angolano quem deve aprender as línguas de todos os estrangeiros que se venham instalar no país?

Assim, com a introducão de centenas de milhar de chineses no país, seremos todos obrigados a falar chinês?

Povo angolano, temos de ter muito cuidado. Alguém está a traficar a pátria. O neo-colonialismo está no meio de nós. Para que haja inclusão, diálogo e respeito mútuo entre todos os angolanos, é necessário que as populações tenham a capacidade de se exprimir nas suas línguas maternas, estejam elas nos ministérios, repartições públicas e afins ou no seio das suas comunidades. É aqui onde começa a discriminação social, na língua. É aqui onde aquele que tem dificuldades em falar o português, conforme os padrões da elite de Luanda, é desprezado como menos angolano. É aqui, onde o PRS travará a sua mais importante batalha no resgate da dignidade e da identidade do cidadão angolano. Eu venho do Leste, sou Tchokwé. Alguém me recebeu mal aqui por não ser mukongo? Se eu vos cumprimentar em tchokwé estarei a ofender-vos? Então, porquê falar a nossa própria língua materna pode ser um factor de desunião entre os angolanos?

Meu povo, meus irmãos, minhas irmãs, a 11 de Setembro de 2006, na abertura do III Simpósio Nacional sobre Cultura, decorrido em Luanda, o Chefe de Estado declarou-se a favor da valorização das, eu cito, “diferentes línguas africanas de Angola”. Para o Chefe de Estado, o kikongo, o kimbundu, o umbundu, o tchokwé e demais línguas não são línguas nacionais pois, segundo o seu discurso que passo a citar, “quase nunca ultrapassam o âmbito regional e muitas vezes se estendem para além das nossas fronteiras”. Temos de ficar muito atentos a esse tipo de discursos. Temos de ler e reler esse tipo de discursos pela forma aberta com que desmascaram a confusão social e ideológica patentes no modo de agir e pensar de vários dirigentes.

Analisemos algumas contradições desse breve trecho do discurso sobre cultura e identidade nacional.

Primeiro, o discurso denuncia as nossas línguas maternas como sendo limitadas à uma determinada região. Logo a seguir, o discurso admite que algumas das nossas línguas também são faladas nos países vizinhos, como é o caso do kikongo. E essa vantagem da língua transfronteiriça é denunciada como não sendo nacional, angolana.

Vejam como se constrói a ideologia da discriminação etno-linguística.

Compatriotas, será que o português é falado apenas em Angola? Será que o português não é falado nos outros países? Portugal e Brasil são o quê? Então, uma língua que é falada noutros continentes pode ser nacional, e a língua que é falada nos países vizinhos, africanos, é reduzida ao folclore? É assim que hoje, o angolano para ganhar 300 dólares, como cozinheiro, tem de saber falar inglês.

O PRS defende o ensino massificado das línguas nacionais, insistimos, línguas nacionais porque são parte indissociável da nação Angola que ainda estamos por construir.

O PRS é pela inclusão constitucional das línguas mais faladas no país, como línguas oficiais também.

A África do Sul tem onze línguas oficiais e não há registo de terem criado tribalismos ou regionalismos por se reconhecer e conferir dignidade às línguas maternas. Antes pelo contrário, esse acto, de grande alcance histórico, é um exemplo de integração e inclusão etno-linguística de vários povos que constituem uma só nação.

O principal programa político do PRS é o resgate da pátria, a devolucão da pátria a todos os angolanos. Não queremos mais ser enganados, ser governados pela mentira e por controlo remoto. Estamos aqui, com o povo, para pedir ao povo que escolha.

Só com o resgate da pátria poderemos nos sentar todos, chamando pela sabedoria dos mais velhos e pela força de vontade e criatividade dos mais jovens, para construírmos a nação dos nossos sonhos e uma entidade nacional que não seja a herança do colonialismo português, mas fruto da nossa escolha e da nossa maturidade em traçar o nosso próprio destino. Sem isso, podemos fazer prédios, construir mais escolas, mas seremos capazes, de assim, sabermos quem somos e o que ensinar aos nossos filhos? Ou vamos perpetuar um sistema de ensino que os aliena e os levar a falar de África de forma negativa, desvalorizante?

Com o vosso voto no PRS, nós exigiremos que a próxima Constituição, a ser aprovada com prioridade, pela nova Assembleia Nacional, conceda estatuto de línguas oficiais às principais línguas nacionais. Para o efeito, lanço-vos aqui um desafio, assim como a toda a sociedade angolana, para que comecemos já a debater a questão da introdução das nossas línguas na Constituição. Só com dignidade constitucional, estaremos em condições de exigir, mesmo para certos empregos na função pública, que os candidatos saibam falar esta ou aquela língua local. Para nos comunicarmos com o estrangeiro somos obrigados, e em nome da globalização e da cooperação e solidariedade internacionais, várias línguas. Porquê não aprendermos as nossas próprias línguas para nos comunicarmos melhor entre cidadãos oriundos dos vários pontos do país? Porquê não aprendermos as nossas línguas para forjarmos a unidade nacional e a solidariedade entre os angolanos?

Excluir nunca foi unir. Quem gosta de excluir os outros para se armar em esperto? O povo sabe, e o povo responde!

O PRS é a escolha número um no boletim de voto.

Viva o Povo do Uíge,
Viva Angola,
Viva o PRS!

Muito obrigado

Actualizado em: 15-Set-2008