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"A banalização da figura do Presidente da República, o Sr. José Eduardo dos Santos, por indivíduos como Kundi Paihama, não servem os interesses do MPLA, da figura em causa e muito menos do Estado angolano."
Posição oficial do Partido de Renovação Social, sobre as declarações do Ministro da defesa Nacional, General Kundi Paihama, que acusou o PRS e a UNITA, de terem instigado revoltas populares nas Provincias das Lundas Norte e Sul, Moxico, Huambo e Bié, contra as forças da ordem, defesa e segurança nacional, por razões do recrutamento militar obrigatório.
Num discurso verdadeiramente agitador, Kundi Paihama disse: "é a oposição que inventou a história das rusgas para denegrir o nosso querido presidente, o camarada presidente José Eduardon dos Santos devido as eleições presidenciais. Eles não têm vergonha, tudo fizeram e não conseguiram nada. Agitam o povo para enfrentar as FAA e a Polícia Nacional com catanas, nós não estamos mais no 4 de Fevereiro de 1961. Quem assim agir vai ser aniquilado porque as nossas forças não são para brincadeiras".
O discurso de Kundi Paihama, como membro do Governo, é destinado as populações e cidadãos que desesperam contra os abusos do poder, contra o saque total do país por uma elite de parasitas que se acha abençoada para continuar a viver ás custas do sofrimento do povo angolano. Tal como alguns chefes nossos, à época da escravatura se dedicaram a esse comércio em troca de chapeus, missangas e outras quinquilharias para alimentar a sua vaidade e falta de caracter.
Esse discurso, é uma afronta ao estado de paz e de mudanças a que todos angolanos, com excepção, daqueles que usam o poder como herança da mãe Joana, subscreveram sem reservas. Kundi Paihama agiu sem sustentar a sua acusação e pareceu ter sido ultrapassado pela ordem dos seus subordinados, pela provavel incompetencia, derivada pela longevidade que o encaminha numa incompactibilidade sem precedentes.
As rusgas foram efectuadas pelas forças da ordem, defesa e segurança nacional, do Governo da República de Angola. A ignorância, a má fé ou, simplesmente, a falta de tempo de Kundi Paihama para se informar, com rigor, sobre as actividades dos seus subordinados não devem servir de pretexto para as sua perigosas intervenções públicas. Como ministro da defesa nacional, o General deveria ter accionado os mecanismos de verificação do estado para apurar a veracidade dos factos e, caso achasse por bem usar da palavra reportar-se apenas aos factos. Assim ao invés de servir de boca de aluguer, sem mandato expresso do Presidente da República, o General Kundi Paihama teria usado dos mecanismos institucionais para sancionar os mandantes da desodem contra as populações. A banalização da figura do Presidente da República, o Sr. José Eduardo dos Santos, por indivíduos como Kundi Paihama, não servem os interesses do MPLA, da figura em causa e muito menos do Estado angolano.
A bajulação esconde os interesses particulares daqueles que usam o poder público como bem privado para o enriquecimento pessoal. Desde que o Sr. Kundi Paihama se tornou proprietário do Banco de Comércio e Negócios que se tem estado a desfazer em pronunciamentos ridículos, com vista a expandir o seu patrimonio pessoal e manter a duplicidade que o próprio Presidente da República condena, a de ser dirigente e empresário ao mesmo tempo. Por isso e por outras, é firme opinião desta tribuna que o Sr. Kundi Paihama escolha entre cuidar dos seus negócios ou ser ministro de todos os soldados angolanos. Certamente os seus subordinados olham-no com certa desconfiança. Haja paciência.
O ministro não se esqueça das suas palavras quando um dia for chamado a depor, por atentar contra a dignidade e a vida de muitos angolanos por razões estranhas aos interesses da pátria. Como diz um jovem rapper angolano, "o silêncio do povo também fala".
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