Eduardo Cuangana é o líder do Partido de Renovação Social (PRS) de Angola, a terceira maior força política no Parlamento do país. Esteve em Lisboa para contactos com partidos políticos e empresários portugueses.
Correio da Manhã - A três meses das eleições legislativas, quais as preocupações do PRS? D.R.

Eduardo Cuangana - São sobretudo preocupações que se prendem com a inexistência de meios logísticos para o nosso partido poder fazer a campanha. Preocupações partilhadas, aliás, por toda a oposição. O único que não se queixa é o MPLA, partido do governo, que utiliza toda a máquina do Estado para fazer campanha: carros, camiões, barcos, helicópteros, equipamentos administrativos do Estado. Põe camiões à disposição das pessoas para as transportar de um lado para outro para encher os comícios e os funcionários do Estado são forçados a participar. Quem não participa é reprimido.
- E em relação à votação propriamente dita?- O MPLA defende a contagem electrónica de votos. A oposição defende a manual porque desconfia da viciação dos computadores por parte do MPLA, que domina toda a máquina eleitoral. O MPLA quer também realizar as eleições em dois dias, violando a lei eleitoral.
- O que defende o PRS?- Primamos pela lei que diz que as eleições devem ser realizadas num só dia. Só se houver anomalias em alguma mesa de voto é que se deve repetir o acto noutro dia. Tudo isto está previsto na lei eleitoral.
- Está garantida a presença de observadores internacionais?- Temos verificado que o MPLAnão está com muita vontade de ter os observadores internacionais no país. Quando se fala disso até parece que estão a esconder qualquer coisa, o que tem criado muita desconfiança.
- Que regime político defende o PRS para Angola?- Um regime democrático e federal onde o multipartidarismo seja um facto, com o objectivo de garantir aos cidadãos a liberdade de expressão, de consciência, de culto, de imprensa e correspondência, com base na declaração universal dos direitos do homem.
- Caso ganhe as eleições, quais as prioridades do partido?- Assegurar o direito à Justiça, à Educação e a Cultura para todos; salário mínimo; criação de um serviço de saúde universal; respeito pela liberdade de consciência e culto de todos os angolanos.
PERFILEduardo Cuangana, presidente do PRS de Angola, nasceu em Saurimo, na província da Lunda-Sul. Tem 49 anos, é mestre em História. Começou a fazer política aos 18 anos e cumpriu o serviço militar nas FAA.
Carlos Menezes